Polêmica sobre a Inclusão

                                           Muriel Elisa Távora Niess Pokk

 

A inclusão tem sido polemizada e com razão.

Não há como se inserir alunos portadores de deficiência mental, severamente comprometidos, numa classe normal, tirando-lhes o direito a uma educação adequada.

INCLUSÃO é uma palavra linda, principalmente quando é usada respeitando-se o direito do ser humano.

 A Constituição e as demais leis servem a muitos e muitos portadores de deficiência, e é, por isso, que o portador de deficiência mental severa tem o seu direito garantido à educação, mas em lugar calmo e propício, com profissionais especializados, com material adequado e, acima de tudo, com muito respeito a ele.

Infelizmente, não há como fazer uma educação englobada para todos, como por exemplo, incluindo, numa classe de alunos “normais”, portadores de deficiência mental profunda.

Somos iguais, sim, mas só perante Deus; aqui na Terra, há diferenças que não podemos esconder, nem fazer de conta que não existem.

Não há como querer que em uma escola pública, numa sala de aula, com 35 crianças (às vezes até mais), cada uma com suas dificuldades, uma só professora possa ministrar  aula coletiva, e, ao mesmo tempo, a aula individual ao portador de deficiência mental, de forma que este aprenda corretamente.

A inclusão do portador de deficiência mental, em classe normal, é o objetivo maior da inclusão, mas não é tão fácil de ser realizado a contento. Na realidade, a inclusão do portador de deficiência mental numa classe normal exige mais do que simplesmente uma professora especializada.

Insista-se: não basta apenas colocar o portador de deficiência mental numa escola normal. É preciso muito mais do que isso para que ele aprenda.

Se o fato de se matricular um portador de deficiência mental na escola, por si só, bastasse para promover a inclusão do aluno e seu aprendizado, não teria havido necessidade de leis para que obrigassem as escolas a recebê-los em suas classes. Todas elas estariam sempre de portas abertas.

Vejamos basicamente o que as escolas devem ter e/ ou fazer para aceitar um portador de deficiência física, auditiva, visual e mental.

Para uma escola estar apta a receber um portador de deficiência física precisa fazer adaptações em suas dependências. Todas as portas das classes devem ter largura tal que permita a passagem de cadeira de rodas, devem ter rampa de acesso, banheiros adaptados (com barras etc). Isso significa que a mesma precisa mexer muitas vezes no prédio inteiro, para receber o novo aluno.

Para o portador de deficiência visual, será necessário que as lições ministradas estejam acessíveis em braile ou gravadas.

Para o deficiente auditivo também há necessidade de algumas adaptações no prédio escolar,  como por exemplo luz que pisque para indicar que o sinal tocou, etc. O professor deve falar de frente para o aluno ou contar com a colaboração de um auxiliar que vá traduzindo em libras as aulas faladas.

Esse aluno, como o primeiro e o segundo, tem condições intelectuais de receber as  informações dadas pelo professor em sala de aula.

Mas, para o deficiente mental, a questão é mais complexa.

A não compreensão da aula dada pelo professor faz com que haja necessidade de que a matéria seja explicada muitas vezes. Se for preciso, essa explicação deve ser apresenta de maneiras diferentes, com paciência, até que ele a compreenda perfeitamente.

A lentidão, comum aos portadores de deficiência mental, para a execução das tarefas dadas (cópias, ditados, leitura etc), fará com que os demais alunos fiquem à sua espera, prejudicando-se.

Se a professora não aguardar o término do trabalho que foi cometido ao portador de deficiência mental e continuar sua aula normalmente, este sentirá, ao ver que os seus coleguinhas prosseguirem sem esperá-lo, uma sensação de incompetência, de inferioridade e de falta de solidariedade, o que lhe poderá acarretar problemas psicológicos.

Sem condições de superar esses empeços, há escolas que se satisfazem com uma inclusão aparente – que permite a portadores de deficiência mental chegarem ao colegial, mal sabendo ler ou escrever e sequer fazer as operações aritméticas com desembaraço.

Sou a favor, sim, da inclusão, pois a fiz com minha filha. Mas uma “inclusão inclusiva” mesmo. A inclusão que faz o aluno se tornar independente; que o faz sentir-se bem na sala de aula; que o leva a, efetivamente, a aprender e ser aprovado, por seus próprios méritos, como qualquer outra criança.

Não é importante a série a que ele chegue, o importante é que naquela em que chegar, nela esteja por merecimento.

 

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