Amor à Pátria

                                                Muriel Elisa Távora Niess Pokk

 

Minha avó nasceu na Alemanha e até a adolescência lá viveu.

Depois, mudou-se para a França.  Lá percebeu que o custo de vida e as dificuldades enfrentadas eram as mesmas de onde viera.

No apartamento em que moravam não havia calefação nem água quente.

Na época do frio, a água ficava congelada na torneira e por isso era necessário acender um lampião e encostar sua chama no cano do mesmo, para que o gelo derretesse e, desta forma, só desde forma, é que se tinha água na torneira durante o inverno.

Vovó trabalhava como feirante vendendo peixes.  Enquanto o dono da barraca trazia mãos enluvadas, ela sentia suas mãos congelarem e os dedos doerem muito (por causa do frio intenso), ao manusear o pescado.

A neve, segundo minha avó, é igual à lama, só que é uma “lama” branca.

Ela contava que, ao ir trabalhar, seus pés afundavam na neve e que, muitas vezes, eles afundavam tanto, que a neve chegava até perto dos joelhos. Para cada passo dado era um grande esforço despendido.

Para ganhar a vida, seus pais se tornaram agricultores, mas, a cada ano, vinha o frio intenso acompanhado de neve e a plantação morria. Cansados, resolveram vir para o Brasil.

Assim que chegaram aqui, meu bisavô comprou uma chácara.

Traumatizado com os prejuízos que tivera na Europa, ele cultivou apenas uma pequenina parte do terreno.

Com alegria, viu as sementes darem seus frutos.

Ao colher o que plantara, vendo seus esforços recompensados, meu bisavô chorou de emoção.

Na segunda semeadura plantou em grande quantidade legumes, frutas, verduras etc.

Viu as plantinhas romperem a terra, crescerem, florirem e finalmente viu toda a colheita à sua espera... Emocionado, ajoelhou-se e beijando o solo disse à minha avó:

- “Este País é bom, sua terra é abençoada!”.

Contei esta história para dizer que os estrangeiros que vêm morar no Brasil - não importa de onde venham - valorizam o nosso País, que os acolhe como se fossem seus filhos.

Causa-me muita estranheza que algumas pessoas nascidas no nosso Brasil não o saibam valorizar, não consigam ver as coisas boas que nele há.   

Sou a favor da democracia e do direito de se falar e escrever livremente. Entretanto, creio que se deva tomar cuidado ao se levar a público um texto que desmoraliza o País em que se vive e o seu povo.

Como querermos que os outros países nos respeitem, se nós mesmos não nos respeitarmos e não respeitarmos o nosso próprio País?

Jornais, revistas, sites etc, são veículos de grande circulação.  Não nos esqueçamos que esses textos publicados serão também novamente divulgados através da imprensa, de telegramas, cartas, e-mail, telefonemas.

Eles chegarão, de uma forma ou de outra, a vários municípios, estados e países.

Ao fazermos, por escrito, comentários jocosos, não podemos, nem devemos generalizá-los, não podemos estendê-los a toda uma população de forma geral, não temos o direito de indiscriminadamente injuriar a todos.

Ao generalizarmos, insultamos a população em massa e isso significa que estamos insultando também a todos os estrangeiros que aqui vivem, e, esse direito, democracia nenhuma nos dá.

Não somos iguais! Nem mesmo os irmãos gêmeos univitelinos são iguais. Eles são parecidos fisicamente, mas seus gênios, seus sentimentos são diferentes, o modo de ver a vida é diferente, e, suas digitais são diferentes.

Não é porque algumas pessoas têm vícios reprováveis, que todos nós devamos tê-los também.

Senão vejamos: seriamos todos assassinos, assaltantes, tarados, estupradores, pedófilos, seqüestradores, viciados, ladrões etc, etc.

            Sou brasileira, adoro o meu País. Não gosto que falem mal de um povo tão sofrido e massacrado por tantas agruras.

            É comum que pessoas que morem em ruas, bairros, cidades, estados e países onde não estejam bem se mudem. Eu mesma mudei de bairro quando me senti estressada por não conseguir dormir por causa do barulho dos barzinhos à noite. Ao mudar-me encontrei a paz desejada.

Aconselho a todos que não estiverem satisfeitos com o lugar onde moram, a mudarem-se o mais rápido possível para um local que corresponda às suas expectativas.

 

Texto registrado em cartório