Entrevista com a guerreira e mãe, Muriel Elisa Távora Niess Pokk

O Editor do Portal Cranik "Ademir Pascale Cardoso"  entrevista a guerreira e mãe, Muriel Elisa T. Niess Pokk.
 (24/06/07)



Muriel com a filha Rita de Cássia.
(Crédito Foto: Diário Popular - 14.3.2000. fotógrafa: Eliaria Andrade)

Mini-Biografia: Muriel Elisa Távora Niess Pokk, nasceu no Brasil, em São Paulo, capital, em 1945.

Aos 13 anos, abandou os estudos, para ir trabalhar, e assim poder ajudar seus pais financeiramente.

Aprovada em concurso, começou a trabalhar na Prefeitura do Município de São Paulo em 1961.

Em maio de 1977, casou-se com Carlos Pokk. Em 1978 nasceu seu primeiro filho, e em 1980 sua filha Rita, portadora da síndrome de Down.

Apesar do choque, Muriel, não se deixou abater. Comprou livros, foi às bibliotecas, fez pesquisas e após estar apta, começou colocar em prática tudo o que sabia, para ajudar sua filha.

Terminada a licença maternidade, sem poder abandonar o trabalho, para não deixar sua filha sem cuidados, fazia os todos tratamentos à noite, assim que voltava do serviço.

Em 1983, abandonada pelo marido, com os filhos pequenos, o mais velho com cinco anos e a caçula com três, sem nenhuma pensão alimentícia, sem dinheiro pagar os tratamentos que sua filha precisava, aprofundou-se mais e mais nos livros. Tornou-se assim, no período noturno: “psicóloga”; “fisioterapeuta”; “nutricionista”; “fonoaudióloga”; “professora”; “massagista” etc.

Criou métodos, para que sua menina ficasse sentada sem se curvar para frente, para que ela conseguisse andar e para alfabetizá-la.

Começou a alfabetizar sua filha, quando ela completou três anos e meio. Seus métodos foram tão eficientes, que aos sete anos, Rita já sabia ler e escrever.

Mãe dedicada, quando Rita entrou no curso primário, dia a dia, pegava toda lição que havia sido dada e passava novamente em casa, para tirar todas as dúvidas que sua filha tivesse.

Depois, matriculou-se com sua filha num curso supletivo para que ela completasse o primeiro grau.

Quando as escolas de computação rejeitaram sua filha, Muriel não teve dúvida, mesmo sem entender nada de computação, comprou um computador e alguns livros que ensinavam o básico sobre windows, Word e internet. À medida que ia aprendendo, ia ensinando à sua filha. Sua filha conclui com êxito esse curso e hoje navega pela internet com destreza, sabe mandar e receber e-mails e digitar muito bem no Word.

Essa mãe lutadora não mediu esforços para que sua filha tivesse uma inclusão total na sociedade... Rita casou-se com Ariel, também portador da síndrome de Down em 2003.
Aposentada por tempo de serviço em 1991. Tornou-se palestrante sobre a síndrome de Down. Suas palestras são realizadas gratuitamente em todo território nacional.

Em fevereiro de 2000, após de anos de muita luta, criou no Brasil, e que se tenha conhecimento, no exterior, a primeira sala de bate-papo, para portadores de deficiência. Por este fato ter sido inédito, consta da ata da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo o nome de Muriel, seguido de um "Ato de Louvor".

Foi professora particular de informática para portadores de deficiência de 1999 até 2003.
É professora de informática para a 3ª Idade, desde 1999.

Participou do Grupo MOVITAE - Movimento em Prol da Vida. Com ele batalhou, na capital Federal pela aprovação de pesquisa com células tronco embrionárias.

A mesma foi aprovada pela Câmara dos Deputados, em Brasília, no dia 02 de março de 2005.

Por sua garra em luta pelo portador de deficiência, foi galardoada em maio de 2006, pela Câmara Municipal de São Paulo, com o troféu "Mãe de Sucesso 2006".

Orientadora sobre a questão da inclusão das pessoas com necessidades especiais, orienta como proceder à inclusão de um portador da síndrome de Down em escolas.

Escreve, artigos, crônicas e poesias que são publicados em vários sites e blogs. Criou o site Grandes Encontros: www.grandesencontros.com.br que é dirigido a todos, em geral, e, em especial, ao portador de deficiência.


MURIEL ELISA TÁVORA NIESS POKK - (Foto Divulgação - Arquivo de Muriel)

ENTREVISTA

Ademir: No seu ponto de vista, por que as pessoas são tão preconceituosas com as pessoas com necessidades especiais?

Muriel: Não nascemos preconceituosos. Já foi comprovado que as crianças são moldadas conforme a educação que recebem, portanto, as pessoas que são preconceituosas, aprenderam a sê-lo desde a mais tenra idade. Assim sendo, aprenderam a ver apenas a aparência física do portador de deficiência, esquecendo-se, entretanto, infelizmente, de ver mais profundamente o SER HUMANO. Esquecem que as pessoas com deficiência têm dentro de si sentimentos, anseios e sonhos como todos nós, o que é uma pena, pois muitas vezes, com eles, poderiam alcançar um engrandecimento espiritual.

Ademir: Cite algumas de suas experiências com o preconceito.

Muriel: Presenciei muitos preconceitos contra minha filha, mas os que mais me marcaram foram os seguintes:
a) Rita freqüentava o maternal numa escola regular. Um dia, quando fui buscá-la, fui avisada que deveria me dirigir à diretoria, o que fiz. Lá chegando, a diretora, sem nenhum subterfúgio, disse-me que eu precisava tirar minha filha da escola. Entregou um abaixo assinado feito pelos pais das outras crianças, no qual eles exigiam que minha filha saísse da escola, e ameaçavam: Sai a Rita ou sairão todos os nossos filhos.
Sem outra saída, tirei minha filha daquela escola.

b) Eu me matriculei numa escola de natação junto com minha filha. Entrava na piscina junto com ela e ficava ao seu lado durante toda a aula, para auxiliá-la nos exercícios. Nesse mesmo horário, uma menina com deficiência visual também participava da aula. Como ela estava sempre sozinha, muitas vezes a ajudei. Certa vez, quando estava entrando na piscina com minha filha, fui informada que não poderia fazer a aula e que deveria me dirigir à secretaria. Curiosa, dirigi-me ao local indicado, onde o dono do estabelecimento me disse que Rita não poderia mais freqüentar aquela escola. Perguntei o por que de tal proibição, e a resposta que obtive foi: “Os pais das crianças que freqüentam a piscina, no mesmo horário que Rita, estão com medo que seus filhos se contaminem com o “mongolismo” dela.”

c) Rita fazia o pré-primário, no período da manhã, numa escola estadual, no bairro do Itaim-Bibi, enquanto eu trabalhava, em período integral, no bairro de Pinheiros. Para conseguir buscá-la na escola, eu usava a minha hora de almoço. Um dia, meu chefe, quando eu estava saindo, pediu-me para datilografar um ofício, ordem que, sem outra alternativa, obedeci. Isso custou alguns minutos preciosos. Quando cheguei à escola, a porta já estava aberta e os alunos já haviam saído.
Procurei Rita por toda a escola, sem conseguir encontrá-la. Ao perceber que minha filha havia saído sozinha da escola, o pânico tomou conta de mim.
Ao avistar a professora, chorando perguntei-lhe porque não tinha ficado com a minha filha até eu chegar... Ela sorriu zombeteiramente e disse: - Não sou babá de retardada.
Virou-me as costas e foi embora.

Ademir: Poderia nos contar como foi o trajeto da reivindicação de uma sala de bate-papo para deficientes?

Muriel: Ensinei computação à Rita. Isso foi bom porque ela trabalhava fazendo cartões de visita. E também porque ela navegava na internet com desenvoltura.

Quando ela reclamava que não tinha amigos nem namorado, eu lhe sugeria que entrasse numa sala de chat que correspondesse à sua idade. Ela assim o fazia. Quando algum rapaz pedia seu e-mail ou seu telefone, eu dizia: - Filha, fala para ele que você tem síndrome de Down. Quando ela assim agia, eu notava que ela ficava parada por alguns minutos e depois abandonava o computador em silêncio. Perguntava o que havia acontecido, e ela me dizia que o rapaz havia parado de falar com ela, apesar de continuar na sala. Esse fato se repetiu por muitas e muitas vezes, sendo que na última vez que isso ocorreu, minha filha falou: - Mãe, ninguém quer namorar uma moça Down.. Subiu para o quarto e chorou a noite inteira. Na manhã seguinte, acordei com uma pergunta martelando meu cérebro: Será que todo o portador de deficiência passava pelo mesmo constrangimento, todas as vezes que entrava numa sala de bate-papo e contava sobre sua deficiência? Para ter a resposta a essa pergunta, resolvi entrar numa sala de bate-papo. Mentindo minha idade e meu estado civil, comecei a conversar com um rapaz. Rimos, conversamos muito... Ele dizia que eu era a moça que sempre procurara, que eu tinha uma excelente cabeça, que estava me adorando, e finalmente pediu meu e-mail, já que, segundo ele, não queria me perder de vista. Nesse momento lhe disse que eu era usuária de cadeira de rodas.. O rapaz conversou mais alguns minutos, e saiu da sala, sem nem sequer despedir-se.

Não me contentei com essa experiência; precisava ter outras mais. Comecei a entrar nas salas de chats Por Idade ("de 15 a 20 anos", "de 20 a 30 anos"; "de 30 a 40 anos"; "de 40 a 50 anos" e "Mais de 50 anos"), ora como homem, ora como mulher, bem como naquelas destinadas às lésbicas e aos gays, em horários variados. Eu precisava verificar se a descriminação sofrida pelo portador de deficiência era igual em todas as salas de bate-papo. Todas às vezes, eu e meu interlocutor conversávamos animadamente, ríamos, falávamos sobre poesia, sobre nossos sonhos, enfim sobre o encanto e desencanto da vida. Quando meu parceiro (parceira) pedia meu e-mail, ou meu telefone, eu dizia que portava alguma deficiência. Nesse momento ele (a) se desinteressava por mim. Observei, que todas as vezes que contava sobre minha falsa deficiência, eu era “abandonada” sem nenhuma explicação. Essa experiência veio me provar que o preconceito nas salas de bate papo era muito grande. Por isso, acreditei, firmemente, que se houvesse uma sala de bate-papo onde os portadores de deficiência não precisassem “esconder” sua deficiência, para poder ter uma amizade, mesmo que virtual, seria o ideal.

Pensei em fazer um site, e nele criar essa sala. Mas, quem saberia da existência dela? Eu era uma pessoa desconhecida, uma simples aposentada.

Depois de muito pensar, a solução que encontrei foi criar a sala num provedor famoso, em que as salas de bate-papo fossem bem conhecidas. Decidi então escrever para os provedores UOL e STI. Mandei e-mail a ambos, relatando as experiências pelas quais minha filha havia passado, e também as experiências pelas quais passei. Pedi que eles criassem uma sala destinada às pessoas com deficiência.

Do UOL recebia apenas mensagens eletrônicas com números, e/ou com alegações de que estava estudando o assunto. O STI nunca respondeu. Fiz, então, um abaixo-assinado, via internet, contando sobre as experiências feitas e falando sobre minha reivindicação. Encabeçando o mesmo, passei-o a todos os meus conhecidos, pedindo que o passassem adiante. Com esse exército de pessoas de bom coração, consegui muitas assinaturas. Enviei novo e-mail, com o abaixo assinado para a UOL e STI, mas de nada adiantou... eles continuaram a ignorar meu pedido. Comecei então a mandar cartas para tevês, rádios e jornais. Nelas eu falava sobre o preconceito encontrado e sobre meu sonho de criar a sala para portadores de deficiência, porém, infelizmente, também fui totalmente ignorada por eles. Apesar de ter escrito para muitos e muitos lugares, nunca tive um retorno sequer.

Desanimada, achei que estava na hora de desistir daquela luta insana, pois estava nela há cerca de três anos. À noite, neste mesmo dia, uma amiga do Rio de janeiro, ligou-me e perguntou-me as novidades. Suspirando lhe respondi que não tinha nenhuma e que, cansada, a partir daquele dia eu estava abandonando meu sonho, e que estava desistindo de tudo. Ela sugeriu que eu mandasse uma carta para o jornal O Globo. Alegou que aquele jornal publicava todas as cartas dos leitores.

A carta, que meio descrente enviei, foi publicada pelo Jornal o Globo do Rio de Janeiro, em 24 de janeiro de 2000, no caderno Informática. A reivindicação sensibilizou a StarMedia, que entrou em contato comigo um dia após a publicação. Assim nasceu a sala: "Deficientes". Na época, inédita no Brasil, e que se tenha conhecimento, no exterior também.

Por seu ineditismo, vários jornais deixaram estampada em suas páginas, o fato. Entre esses jornais estão: a) O Globo, RJ, 07.02.2000 - "Leitora ajuda a criar sala de chat só para deficientes" ; b) Diário Popular - "Libertando-se do Preconceito" e "Mãe Luta por espaço para deficientes na internet", caderno Informática, 14.03.2000; c) *O Estado de São Paulo, SP, 14.02.2000; d) Jornal SuperAção, março/abril 2000; e) Folha do Servidor Público, setembro/outubro/2000 - pg. 24; f) Diário do Nordeste, Ceará, Fortaleza, 28.02.2000; g)Jabaquara News, SP, 11/08 à 17/08 de 2000. O Site Digital Report – 07.02.2000 também propagou a notícia.

Consta na ata da Assembléia legislativa meu nome, seguido de voto de louvor. Um dia após a StarMedia ter entrado em contato comigo, a UOL me contatou perguntando se eu ainda queria fazer a sala de bate-papo também lá. Disse que sim e solicitei que fizessem mais de uma sala. Fui atendida no meu pedido. A StarMedia, infelizmente, fechou suas portas no Brasil, mas até hoje ainda existe a sala “Deficiente” na UOL.

Não estou fazendo propaganda do UOL, pois até 20 internautas, as salas “Deficiente” podem ser visitadas gratuitamente.
Para visita-las, acessar: http://www.uol.com.br (Clicar em: bate-papo; em seguida em: Variados, e, no menu que surgir, clicar em “Deficientes").


Comunhão. Primeira turma em 1994 - (Foto Divulgação - Arquivo de Muriel)

Ademir: Como foi o início do site "Grandes Encontros" e qual a receptividade dos internautas?

Muriel: Logo que criei a sala de chat, comecei a visitá-la anonimamente para verificar a opinião dos internautas sobre a criação da sala. Ao conversar com os freqüentadores da salinha, fui tomando conhecimento da grande solidão que invadia o coração de alguns deles. Logo me ocorreu criar um site de encontros, no qual as pessoas pudessem colocar um “anúncio” com seus dados e assim fazer boas amizades, ou, quem sabe, encontrar um grande amor.

O site Grandes Encontros foi criado no inicio de 2000. Ele é inteiramente gratuito, pois minha intenção não é ganhar dinheiro, e sim espalhar a felicidade por todos os corações. Sinto-me inteiramente recompensada quando alguém me escreve dizendo que encontrou um amor através do site e que está feliz.

Apesar da insistência do webmaster, nunca quis que houvesse um cadastro automático no site. Quando uma pessoa quer se cadastrar, mando-lhe uma ficha de inscrição, a mesma me é devolvida preenchida. Quando eu recebo a ficha, leio com atenção, se encontro nela coisas vulgares ou pornográficas, não a coloco no site.

Isso fez do Grandes Encontros um site com anúncios honestos de pessoas de bem. Por isso, logo os freqüentadores perceberam que o site era sério de verdade, o que o levou a ter uma grande receptividade.

Através do site várias pessoas já encontraram boas amizades, e outras vieram a se casar.

Ademir: Semana passada, recebi um de seus e-mails informando sobre vagas para deficientes em uma rede de farmácias. Como funciona esse processo de contratação e qual a carga horária dessas pessoas contratadas?

Muriel: Quanto a isso, não sei informar. Eu apenas recebo as informações, procuro saber a veracidade das mesmas, e, se confirmadas, repasso-as para todos os meus conhecidos.

Ademir: O trabalho pode estimular o crescimento pessoal do portador de deficiências especiais?

Muriel: Sem dúvida nenhuma. Nada melhor do que ele se sentir integrado na sociedade inteiramente. O trabalho estimula o crescimento pessoal de todo mundo, até porque nos dá certa independência.

Ademir: Como foi o encontro e posteriormente, namoro da sua filha com Ariel, também portador da síndrome de Down?

Muriel: Apesar da minha filha já ter feito o ginásio e trabalhar com computação em casa, ela começou a se sentir muito solitária, por esse motivo, matriculei-a numa escola para jovens portadores de Down. Lá ela fez muitos amigos, entre eles o Ariel.

Para comemorar um mês da criação da sala de bate-papo, fiz um convite aos internautas para um encontro amistoso num restaurante de um shopping famoso aqui de São Paulo. Pedi a Rita que convidasse o pessoal da escola.

Da escola, só foi o Ariel. Quando ele viu a Ritinha, logo se sentou junto a ela. Depois de um tempo se levantou, foi ao pianista e pediu para que o mesmo tocasse uma música e a ofereceu para minha filha. Foi nesse encontro que ele e minha filha começaram a namorar. No final de 2003, eles se casaram numa bela cerimônia... Realizaram, assim, seu grande sonho de amor.

Ademir: Vou ser sincero, foi a primeira vez que ouvi falar sobre o casamento de dois portadores da síndrome de Down. Existem outros casos como este?

Muriel: Rita e Ariel se casaram em 2003. Na época, o casamento, pelo que sei, foi inédito tanto no Brasil quanto no exterior.

Ademir: Como os amigos e familiares enxergaram o casamento de Rita de Cássia com Ariel? Existiu preconceito?

Muriel
: Os familiares sentiram muita alegria pelo fato de ambos quererem levar uma vida normal.
Alguns amigos fizeram críticas severas, outros acharam que era uma loucura, mas, com o passar do tempo, todos eles, vendo como o casalzinho é feliz, pedem-nos desculpas.

Ademir: Fale um pouco sobre o genro, Ariel. Como ele é como esposo e genro?

Muriel: Eu sou suspeita para falar do Ariel. Além de amá-lo muito, tenho por ele também grande consideração. Quando ele soube que os anticoncepcionais poderiam provocar danos graves na Rita, por amor a ela resolveu fazer vasectomia. Por isso sempre digo: -Ariel é o homem que toda mulher gostaria de ter como marido e toda sogra como genro. Ele é um homem com H maiúsculo.

Ariel é um marido carinhoso, terno e amigo, mas algumas vezes, como qualquer marido, reclama quando a Ritinha pede para ele ajudar a arrumar a casa ou lavar a louça; todavia, a maioria das vezes ajuda-a sem reclamar. Também é ciumento: não larga a esposa sozinha em nenhum momento.

Ademir: Você também participou e apoiou à luta pela aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias?

Muriel: Sim, foi aprovado em Brasília, Câmara dos Deputados, dia 02 de março de 2005.  Gostaria de deixar aqui o meu apelo às autoridades... Aprovem, com urgência, o uso da célula embrionária: elas podem salvar muitas vidas e curar muitas doenças. Quero esclarecer que os embriões, que serão usados, são aqueles congelados há 3 anos, que não serão mais usados, e, por isso, serão destruídos.

Ademir: Como foi o prêmio Mãe de Sucesso 2006?

Muriel: Senti-me honrada por ter sido escolhida para receber tão linda homenagem. Foi emocionante.

O evento se deu na Câmara Municipal de São Paulo, no dia 10 de maio de 2006, às 19h 30. O troféu Mãe de Sucesso 2006 me foi entregue pela deputada Célia Leão.

Ademir: Como funcionam suas palestras? Elas são pagas ou a entrada é franca?

Muriel: Jesus levou o amor por onde andou, nunca cobrou. Por isso nada cobramos das pessoas que nos convidam para palestrar. Sigo os ensinamentos do Mestre, tentando levar aos pais de crianças portadoras da síndrome de down, força, fé e esperança.
Agora, se quem nos convida cobra alguma coisa das pessoas que desejam assistir às palestras, eu não sei.

Ademir: Existem escolas específicas para portadores da síndrome de Down? Se sim, onde?

Muriel: Existem muitas escolas especiais exclusivamente para portadores da síndrome de Down.

Existem também escolas especificas para deficientes mentais. O preconceito começa nas próprias escolas para portadores de deficiência mental, seja ela qual for. Algumas escolas para portadores de deficiência mental geralmente não aceitam pessoas com síndrome de Down, e as escolas para portadores da síndrome de Down não aceitam pessoas com outras deficiências mentais.

Como sou contra o preconceito, por esse motivo, deixo de citar os nomes dessas escolas.

Ademir: Como os interessados deverão proceder para entrar em contato com você para palestras e entrevistas?

Muriel: Quem quiser fazer contato, poderá fazê-lo através dos e-mails: murielelisa@zipmail.com  ou felicidade_sp@ibest.com.br 

Ademir: Mais uma vez lhe agradeço pela gentileza da entrevista. Desejo-lhes muito sucesso.

Muriel: Eu é que agradeço pela oportunidade que me foi dada, esperando ter correspondido às suas expectativas. No mundo atual onde só encontramos robôs que andam e falam, fico feliz ter encontrado em você um verdadeiro ser humano. Cumprimento-o por sua sensibilidade e interesse na divulgação de assunto de tão grande importância.

© Cranik

*Você poderá adicionar essa entrevista em seu site, desde que insira os devidos créditos: Editor e Administrador do http://www.cranik.com : Ademir Pascale Cardoso - ademir@cranik.com
Entrevistada: MURIEL ELISA TÁVORA NIESS POKK
E nos informar pelo e-mail: webmaster@cranik.com