Pais podem ajudar no desenvolvimento

escolar das crianças com deficiência

                                                                    Rede SACI 15/04/2004

                                                    Ana Cristina Souto e Liuca Yonaha

Muriel E. T. Niess Pokk compartilha sua experiência com a filha respondendo ao questionário do Observatório da Educação da Rede SACI

Como na formação de qualquer pessoa, o processo educacional deve envolver não apenas a escola, mas a família também. Foi o que Muriel Elisa Távora Niess Pokk buscou com sua filha Rita de Cássia. Muriel respondeu ao questionário do Observatório da Educação contando sua experiência.

Apesar do questionário ser dirigido a professores de sala de aula, Muriel utilizou-o para compartilhar um pouco de sua experiência que abrange desde leituras para conhecer mais sobre a deficiência de sua filha, até a elaboração de estratégias para que ela apreendesse noções de Geografia. Rita hoje está com 23 anos, trabalha com computação e está casada desde o ano passado.

É importante lembrar que a família deve incentivar e auxiliar o desenvolvimento de seus filhos de forma natural, inseridos no cotidiano da casa e de uma forma lúdica, prazerosa, preservando o vínculo natural entre pais e filhos.

Muriel conta que quando Rita tinha por volta de oito meses, ela dava-lhe letras e números de borracha como brinquedos. A mãe mostrava os símbolos para a filha e nomeava. Fez o mesmo com as cores, pintando pinos de boliche. "Filha, olha só o 'A'. Olha só o pino vermelho"...

Mais tarde, quando a menina já identificava as letras e os números, foi a hora de incentivar a escrita. Com giz branco, Muriel pontilhava no chão da casa com letras bem grandes, que a menina cobria com giz colorido. Na parede da sala, os desenhos pontilhados eram feitos com lápis e cobertos com giz branco.

Em outros momentos, a mãe escrevia as letras vazadas que deveriam ser preenchidas por Rita. Nas primeiras vezes, a jovem utilizava caneta esferográfica grossa. Aprimorando seus movimentos, passou a utilizar canetas mais finas, lápis de cor, até chegar ao lápis comum.

Ao mesmo tempo, o suporte da escrita acompanhava seus progressos, inicialmente na parede ou chão ao papel sulfite e, finalmente, o caderno, onde ela aprendeu a escrever em linha reta.

E mais, quando a menina "comia" alguma letra, a mãe copiava a palavra e deixava um espaço em branco para que ela colocasse o que faltava em vermelho.

Para mostrar à filha como corriam os rios, Muriel usou uma mangueira grossa de dois metros e com bacias de água e terra, explicou o que eram as ilhas.
Uma lanterna e um globo terrestre foram utilizados para ensinar como ocorrem os dias e as noites.

*Essas foram apenas algumas estratégias que Muriel desenvolveu para ajudar no processo de aprendizagem da filha. Como ela mesma diz: "daria um livro se fosse explicar tudo". E acrescenta que, ao educar uma criança, deve-se ir com calma e estar atento aos detalhes. "Qualquer um se beneficia com isso", diz a mãe orgulhosa de ter alcançado seu objetivo.