Educar uma criança resiliente

Crianças com TDAH são incrivelmente resilientes, criativas e determinadas. Mesmo tendo que lidar com pais frustrados e professores desiludidos, essas crianças tentam continuar e "fazer melhor na próxima vez". Crianças que não recebem o necessário apoio, empatia e cuidado, eventualmente sucumbem ao peso dos anos de crítica negativa e falham na tentativa de melhorar. Esta é a maneira que um pai descreve o desejo de seu filho de se integrar ao grupo e ser bem sucedido:

"Sei que Brent quer se controlar e ser parte do grupo. Sei disso. Mas, assim que as coisas começam a não dar certo, ele fica cada vez mais frustrado e tudo fica mais difícil. Ele não desiste. Sei que está tentando melhorar, e ele sabe que eu o apoio por estar fazendo o melhor que pode neste momento. Às vezes, penso em mim mesmo como seu "airbag" emocional. Sei que a maneira que lido com ele o faz sentir mais seguro e mais capaz de melhorar as coisas. Quero que ele saia de um episódio ruim sabendo que está bem, e que é capaz de dominar a frustração e não ser dominado por ela."

O texto que segue pode ser visto como uma metáfora para a resiliência pessoale a fortaleza emocional:

Um dia, uma mula caiu num poço seco. Não havia jeito de se tirar a mula do poço, então o fazendeiro mandou os filhos enterrarem a mula nele. Mas a mula se recusava a ser enterrada. À medida que os meninos jogavam a terra, a mula simplesmente andava por cima dela. Logo, tanta terra foi jogada que a mula conseguiu sair do poço Aquilo que era destinado a enterrar a mula foi exatamente o instrumento que a fez subir para sair do poço. .

Esta história fala tanto da experiência de pais de crianças com TDAH como das próprias crianças. Algumas vezes, os pais sentem que estão sendo "enterrados vivos" por todos os problemas resultantes do TDAH. Não é que os filhos pretendam sufocá-los; na verdade, os sintomas do TDAH é que são sufocantes, tanto para os pais como para os filhos.

Como a mula, um número surpreendente de crianças com TDAH se recusa a ser enterrado emocionalmente por críticas negativas, desaprovação dos pais, isolamento social e dificuldades acadêmicas. De alguma maneira, essas crianças se tornam adultos levando uma contribuição significativa para suas comunidades e para a vocação que escolheram. Acredita-se que essas crianças freqüentemente tiveram pelo menos uma pessoa que acreditou incondicionalmente nelas e que apoiou o lado capaz e competente de suas personalidades. É surpreendente o que uma pessoa, especialmente um pai, pode fazer para garantir o sucesso de uma criança.

A história que segue demonstra bem esse ponto.

“Antes de Chris ser diagnosticado e medicado, eu ficava maluco se ele desobedecia, respondia ou causava algum problema. Chegou no ponto que eu simplesmente perdia a cabeça. Por sua vez, isso só o fazia ficar mais desafiador. Quanto mais alto ele falava, mais eu gritava, e assim por diante”.

Havia um enorme stress e muita tensão na casa. Depois que aprendi um pouco mais sobre TDAH e percebi que a minha maneira anterior de lidar com Chris era, no mínimo, ineficiente, comecei a agir de maneira diferente. Se ele começa a perder o controle, reduzo a reação negativa e encaro sua intensidade com calma e razão. A mudança de comportamento diante da minha nova atitude é impressionante. Não há mais tensão na casa e, se ele faz alguma coisa inadequada, calmamente mando que vá para outro lugar para se acalmar. A noite, agora, é diferente e produtiva, principalmente quando ele se sente dominado por suas emoções."

Concluindo, Kircarr lembra que as crianças que têm deficiências, sejam emocionais ou físicas, freqüentemente podem superar enormes desvantagens se sabem que os pais acreditam nelas. Como um camaleão, que toma a cor do ambiente como forma de proteção contra o perigo, crianças com TDAH freqüentemente assumem atitudes e crenças dos pais; vêem a si próprias como são vistas pelos outros. Se percebem que são consideradas "más", "um desperdício", "sem valor" ou se sentem apenas toleradas, começam a viver esses rótulos buscando experiências negativas. Por outro lado, quando uma criança se sente amada, mesmo quando não é particularmente amável, ela experimenta uma sensação de redenção e esperança.