Corrigir Sem Criticar

De acordo com John Taylor, há sempre uma maneira produtiva de conversar com as crianças a respeito de seu comportamento. Os métodos apresentados aqui, extraídos do texto original Correcting without criticizing: a practical guide for parents, servem tanto para pais, professores, orientadores, líderes de grupos de jovens quanto para qualquer adulto responsável pela supervisão e cuidado de crianças e adolescentes.

Falar demais é o erro mais comum cometido pelos pais. Cutucar, lembrar, repetir ordens e falar mais de uma vez para fazer isto, não fazer aquilo cria ressentimento tanto nos pais quanto nos filhos. A crítica é um ato destrutivo que convida à vingança. A correção é uma arte útil que convida à cooperação. Não existe a crítica construtiva. Baseada na crença falsa que, para fazer a criança agir melhor, precisamos primeiro fazê-la sentir-se pior, a crítica normalmente causa mais problemas do que o comportamento errado inicial.

Quando um problema de comportamento acontece, confrontar a criança é uma importante e poderosa ação e deve ser usada para aumentar a harmonia familiar. Corrigir sem criticar é um aspecto importante para a orientação eficiente da criança. Fortalece o amor do filho para com os pais e aumenta a sensação de segurança emocional no relacionamento.

 

Padrões realistas de comportamento

As crianças necessitam padrões de comportamento que correspondam ao que são capazes de fazer, precisam fazer ou estejam prontas para fazer. Padrões muito elevados podem causar frustração em todos os envolvidos. Se os padrões e expectativas estão além do nível de habilidade e compreensão de uma criança, não vai ser fácil para ela conseguir alcançá-los. O resultado é desapontamento e mal comportamento. Se a criança aceita os padrões exigidos e tenta alcançá-los, corre o risco de achar que não está à altura do desejado e, portanto, é pouco inteligente, sem valor ou má. Se compreende que os padrões são muito altos e os questiona, pode sentir que não é amada. Os pais precisam mostrar que se preocupam com os desejos e habilidades reais de seus filhos.

Se o padrões são muito baixos, a criança pode atingi-los com facilidade e a porta está aberta para outras fontes de desapontamento pessoal. Primeiro, se esses padrões são aceitos como um reflexo de suas reais habilidades, passa a acreditar que consegue conquistar qualquer coisa sem muito esforço. Esta visão certamente criará problemas quando tiver que enfrentar tarefas do nível real das suas habilidades ou um pouco acima. Segundo, se a criança compreende que esses padrões são muito baixos, pode concluir que os pais têm pouca fé nas suas habilidade e naquilo que é capaz de conseguir.

Ajustar as expectativas em relação aos filhos freqüentemente, conversando com eles. Evitar pouca ou muita ajuda, auxiliar na medida da necessidade. Estar informado sobre como se processa o desenvolvimento das crianças e discutir com freqüência as habilidades e progresso na escola.

 

Preparar o ambiente antes de falar com a criança

Antes de confrontar uma criança, os pais devem abrir o canal da comunicação, estabelecer um clima emocional e começar uma conversa confortável. É importante lembrar que, a qualquer hora, a criança pode estar mais calorosa e próxima ou mais fria e distante. O objetivo é criar um espaço para que a criança possa se "distanciar" emocionalmente de seus pais à medida que sente o incômodo das suas preocupações e, ainda assim, manter uma relação próxima e amorosa.

São 4 os pontos chaves no confronto para se discutir uma mudança em algum aspecto do comportamento de uma criança:

- empatia: mostrar compreensão. Mostrar empatia significa ter sentimentos e fazer declarações que reflitam um reconhecimento sincero dos sentimentos da criança e uma preocupação real com eles. A melhor maneira de demonstrar empatia é expressar o desejo que a criança possa experimentar sentimentos agradáveis e acontecimentos positivos em sua vida. Além de mostrar que você se importa com ela, esse aspecto da empatia enfatiza "Eu quero o melhor para você".

- cortesia: tratar a criança com dignidade. Muito importante para um confronto. Focalizar no que a criança está falando e evitar pensar em outras coisas durante a conversa. Nunca começar um confronto acusando a criança de ter feito uma coisa ruim ou errada. As primeiras palavras de um confronto devem ser amigáveis e não hostis. Nunca interromper a criança quando ela está contando o incidente; isto é um insulto e pode iniciar uma discussão. Falar em tom de voz como se estivesse conversando com uma pessoa dez anos mais velha.

- brevidade: evitar "pegar no pé". Passar o recado em poucas palavras, de modo que tudo o que for dito tenha significado. Quando mais palavras forem usadas, menos eficientes elas se tornam, surge a necessidade de falar mais alto ou combinar as palavras com ameaças. Um bom confronto evita tanto a voz alta como as ameaças.

- oportunidade: escolher o momento certo. Isso é importante tanto para o adulto como para a criança. Informações que podem diminuir a imagem da criança perante os amigos ou familiares devem ser discutidas em particular. Evitar o confronto quando ela já estiver aborrecida, zangada ou triste. Se o adulto está sob grande tensão, cansado, zangado ou emocionalmente esgotado, fazer o possível para relaxar antes do confronto com uma criança. Não há necessidade de enfrentá-la no momento do mal comportamento. Calma e oportunidade de organizar os pensamentos antes do confronto trazem melhor resultados e reforçam a relação.

 

Cinco passos para um melhor controle de comportamento

O confronto deve ensinar alguma coisa tanto aos pais quanto aos filhos. As crianças devem aprender a escolher um comportamento mais adequado e os adultos devem aprender mais sobre as necessidades das crianças. Assim, podem adaptar sua expectativas e ações de modo a evitar futuros comportamentos inadequados.

São 5 os passos básicos para um confronto sobre mal comportamento:

-         interromper: estar pronto para interromper o processo. Por exemplo, separar crianças que brigam e mandar cada uma para um lado diferente.

-         Intervir para que o comportamento negativo cesse e a criança tenha que enfrentar você.

-         Haverá ocasiões em que você pode não querer interromper a situação. Freqüentemente, a melhor forma de tomar uma atitude disciplinadora é não se envolver no incidente. No entanto, se estiver evitando propositadamente se envolver , não será capaz de confrontar a criança com sucesso. Se desejar o confronto, precisa tornar sua presença conhecida.

-          Chamar a criança do lado e mostrar o comportamento não desejado que está começando a aparecer. Ficar calmo e organizado.

-          - acalmar: ambas as partes precisam se acalmar. Talvez mandar a criança para um lugar, como o quarto, onde ela possa ficar por alguns minutos antes de enfrentá-lo. Mais importante, no entanto, é que o adulto se acalme.

-         - afirmar: expressar confiança no julgamento da criança e sua habilidade em entender o que vai ser discutido.

-         Acreditar que ela quer colaborar. Mostrar uma apreciação real das coisas certas que ela faz e salientar que ela tenta de verdade ser boa e ter uma atitude agradável em determinadas horas e circunstâncias.

Ser sincero e escolher características que realmente aprecia.

-          redirecionar: depois de interromper o comportamento não desejado, mostrar a direção a ser seguida. Uma maneira útil de redirecionar é fazer a criança recriar a situação e desfazer ou melhorar o erro. Ex: se um brinquedo foi quebrado, pedir desculpas e providenciar outro brinquedo; se houve briga, a criança deve mostrar uma maneira mais amigável de brincar.

-          - educar: tentar descobrir o que acontece nos momentos anteriores ao comportamento inadequado. Isso pode proporcionar dicas para a motivação de tal comportamento.

-          Uma boa maneira de mudar o comportamento é chamar a atenção para o momento em que acontece.

-          Combinar um código com a criança para que ela tome consciência desses momentos. Por exemplo: "bandeira vermelha".

-          Ajudá-la a pensar nos efeitos do seu comportamento e como a próxima vez pode ser melhor. Falar da próxima vez de maneira positiva é um incentivo para a criança.

-          De modo geral, pais que incentivam referem-se a aspectos úteis do futuro e pais que não incentivam ficam repisando aspectos negativos do passado.