Cinco passos para um confronto efetivo

A maneira de ensinar a criança como melhorar seu comportamento na "próxima vez" segue estes cinco passos:

 

Primeiro Passo: Descrever a Situação

Falar para a criança como o mal comportamento afeta diretamente as outras pessoas de maneira negativa.

Ajudá-la a entender o efeito que isso tem nos outros. Ex: "Cada vez que você pega a bola da Elisa ela pensa que você está brava com ela e começa a se sentir triste e confusa."

Dizer que o mal comportamento é um erro, um engano. Ex: "Acho que você está cometendo um engano importante com a Regina, e gostaria de conversar com você a respeito disso."

Começar descrevendo clara e especificamente o que foi realmente observado. A descrição objetiva de ações externas é mais eficiente do que ficar imaginando motivos para o comportamento da criança, tirando conclusões nem sempre verdadeiras ou classificando a criança. Apontar quantas vezes você a escutou dizendo coisas inadequadas para um irmão é bem mais útil do que chamá-la de pestinha ou língua de trapo.

 

Segundo Passo: Declarar seus Sentimentos

Não ter medo de falar para a criança como você está se sentindo a respeito do que aconteceu no primeiro minuto que achar que está preparado. Evitar que ela perceba como você foi afetado rouba dela instrumentos importantes no aprendizado de como melhorar as relações com os outros. Compartilhar seus sentimentos é uma forma de contato que permite à criança sentir seu real desejo de se "conectar" emocionalmente. Esta declaração sincera de sentimentos ajuda na harmonia familiar e estabelece um exemplo a ser seguido.

É melhor falar de sentimentos e ações do momento do que se referir ao passado ou fazer predições para o futuro. Dizer para a criança que você está zangado agora: "João, estou bravo agora com o que você fez."

Dizer como se sente, honestamente: "Se você está agindo dessa maneira, fico desapontado com meus esforços de ensinar como quero que você se comporte."

 

Terceiro Passo: Pedir Mudanças

Dizer para a criança uma vez só - muito clara e firmemente - e com tranqüilidade, o que deseja que ela faça ou deixe de fazer. Expressar isso de maneira esperançosa ou em forma de desejo: "Espero que você comece a fazer suas tarefas de casa a partir das 7:00 horas de hoje em diante."

Sugerir alternativas para a criança pensar a respeito além de "porque eu quero" ou "porque eu sou seu pai/sua mãe".

Ser específico e claro. Se for vago ou falar de maneira indireta a respeito dos seus desejos, é possível que surjam mais problemas. Uma possibilidade é a criança desenvolver sentimentos de culpa por não poder satisfazê-lo. A criança também pode começar a se ressentir ou mesmo a odiá-lo por ter tanto poder e por, aparentemente, passar mensagens de rejeição.

Ao receber uma declaração clara dos seus sentimentos, a criança pode sentir melhor a alegria de responder às suas necessidades emocionais.

 

Quarto Passo: Oferecer Apoio para as Mudanças

Tratar o mal comportamento como um erro pequeno que pode ser corrigido fácil e rapidamente. Sugerir correções que podem ser feitas. Encorajar e indicar que a questão pode ser resolvida rapidamente.

Enfatizar a necessidade prática da correção exigida. A criança precisa estar consciente da importância de não fazer a coisa errada.

Tentar mostrar quanto os outros dependem dela. Mostrar os reais resultados do erro, calmamente e sem ameaças ou predições de prejuízo eterno.

Mostrar que privilégios serão retirados se houver abuso e que serão concedidos se houver responsabilidade.

Quinto Passo: Verificar a Compreensão e Aceitação

O objetivo é conseguir um acordo e não vencer uma batalha. Conflitos são resolvidos mais facilmente em clima de confiança e respeito mútuo. Mostrar tato ajuda.

Tratar o conflito como um problema que precisa ser resolvido em conjunto. Focalizar na busca de uma solução que atenda às necessidades de todos sem frustrações. Respeito mútuo, que leva à satisfação mútua, ajuda muito a solucionar possíveis problemas.

Deixar a criança manter sua dignidade permitindo que defenda e explique suas ações. Procurar saber o ponto de vista da criança sobre o problema, seus sentimentos e idéias a respeito de possíveis soluções. Depois de escutar com cuidado, respeito e calma o ponto de vista da criança, repeti-lo com suas próprias palavras , mesmo que não concorde com tudo. Colocar a explicação da criança da sua maneira mostra compreensão e preocupação. Essa empatia pode ajudar a criança a entender o seu ponto de vista mais tarde.

Em vez de provar como a criança está errada, ajudá-la a fazer a coisa certa. Fazer um esforço para mudar a posição da criança em vez de simplesmente fazer um julgamento. Junto com a criança, explorar o assunto como um aliado. Definir calmamente sua posição e justificar. Dizer que quer que a criança compreenda seu ponto de vista. Se tem certeza, expressar confiança que ela realmente compreende.

Se a criança começar uma luta de poder e rejeitar todas as alternativas, dizer: "Não vou discutir com você. Você até pode estar certa, mas continuo querendo que faça dessa maneira porque..."

Se necessário, pedir uma "solução experimental" e discutir sobre os resultados mais tarde.

Os pais precisam ensinar seus filhos a pensarem no impacto que seu comportamento tem sobre eles mesmos e os outros. Convidá-los a pensar em possíveis soluções. Este processo é parte de como ensinar crianças a tomarem decisões mais acertadas.

Os 6 passos que ajudam uma criança a fazer melhores escolhas a respeito do seu comportamento são:

· identificar o problema

· juntar dados

· identificar as escolhas

· analisar as conseqüências das escolhas

· decidir o que fazer

· fazer uma avaliação depois da ação

· Esses seis passos se aplicam a qualquer forma de comportamento não adequado repetido.

O exemplo do quadro seguinte se refere à quebra das regras de uma dieta (comer comida proibida quando os pais não estão em casa).