COMO ENSINAR A TOMAR DECISÕES

PASSOS PARA A TOMADA DE DECISÕES

1 - Identificar o Problema

2 - Juntar Dados

3 - Identificar as Escolhas

4 - Analisar as Conseqüências das Escolhhas

5 - Decidir o que Fazer

6 - Avaliar os Resultados

 

 

MÉTODO INEFICIENTE

Acusar, chamar nomes: "Você não está mais prestando atenção na dieta." "Você não deve estar se preocupando com sua saúde."

Presumir que você já sabe tudo o que tem para saber:

"Já sei o que você estava pensando e não quero saber de nenhuma das suas desculpas."

Fazer sermão, não dar escolha: a criança escuta e você fala:

"De agora em diante, nunca mais deixo você sozinha em casa, e você nunca mais vai poder...”

Presumir que suas decisões são as melhores; exigir que a criança obedeça:

"Se fizer isso outra vez, vai ver só! "Não adianta tentar falar comigo a respeito disso."

Decidir instantaneamente enquanto está zangado; não oferecer nenhuma decisão:

"Você está de castigo por uma semana; assunto encerrado."

Nenhuma conversa com a criança até a próxima quebra na dieta; nenhum planejamento para verificar os resultados das possíveis mudanças.

 

MÉTODO EFICIENTE

Específico, possível contar:

"Nesta semana, você comeu uma coisa que não podia 3 vezes".

Descobrir os fatos; buscar a lógica da criança e seus sentimentos:

"Houve outras ocasiões que eu não estou sabendo?" "Você concorda que nas 3 vezes você estava errado?"

Incentivar a criança a pensar numa solução; dar alternativas:

"O que podemos mudar para que não seja tão difícil da próxima vez?"

"O que outra coisa você pode fazer nessas ocasiões em vez de comer?"

Usar a lógica do "Se... então":

"Se eu tirar esse tipo de comida da cozinha, então nossa família vai precisar achar um substituto.

Explorar os prós e contras de cada escolha:

"O que você acha?"

Dar à criança a possibilidade de pensar em algumas soluções; fazer um acordo; basear as decisões nas necessidade da família:

"Vamos achar a melhor solução para atender o seu problema e para proteger você - e o resto da família - destes mesmos erros. Tome nota das nossas decisões para ter certeza de como elas são. Discutiremos a respeito disso todos juntos novamente."

Discutir os resultados numa hora combinada e planejada, normalmente alguns dias após o incidente; permitir mudanças no combinado:

"Você acha que nosso plano está funcionando?" "Há alguma coisa que você deseje modificar?"

 

Papéis Destrutivos a Evitar

Ao confrontar uma criança, devemos evitar cada um destes quatro papéis, pois todos eles trazem possibilidade de problemas.

Comandante: O Comandante precisa controlar tudo e todos através de constantes ordens e exigências. As declarações mais freqüentes são "Você deve...", "Você vai..." e "Você tem que...".

As crianças devem parar de mostrar um comportamento negativo e há muitas ameaças e avisos do tipo "É melhor você fazer senão...".

O jeito de evitar o papel de Comandante é focalizar no próprio autocontrole e não no controle da criança. Quando controlado, é possível escutar e encontrar tempo para os problemas da criança. Quando você não está controlado, corre o risco de supercontrolar a criança.

Evitar que o poder que vem de você seja muito maior e a criança muito menor. Decidir evitar o uso da força ou o poder como método principal de influenciar o comportamento da criança.

Parar de pressionar, ao invés, propiciar a tomada de decisão compartilhada.

Não é necessário ficar repetindo que o comportamento é inaceitável. Uma afirmação simples e direta sobre o impacto das ações nos outros pode ser suficiente. Ex: "Quando você fez aquilo, João ficou triste porque...

Juiz: O Juiz é muito rápido para decidir as coisas. As ações da criança são consideradas muito negativas, e a culpa dela é decidida muito rapidamente. O Juiz também gosta de dar nomes: " Você é um mau garoto", "Você não está pensando direito", "Você está me desapontando outra vez".

Juízes querem sempre provar que estão certos e as crianças erradas. Uma criança é considerada culpada sem poder contar o seu lado da história. Há uma tentativa de diminui-la. O Juiz acha que é bom e eficiente mostrar as falhas da criança para que ela possa corrigi-las.

Acusar a criança de ser má em nada ajuda. Constantemente julgada, ela se torna defensiva e reservada. A criança quer que você escute seus pensamentos e idéias, e não julgue o que é bom, mau, certo ou errado a respeito das suas opiniões.

Acusar a criança de ter um motivo não adequado, como querer aparecer, só prejudica a comunicação entre vocês dois. Acaba com qualquer oportunidade de segurança emocional.

Evitar dizer que você está certo e a criança errada. Evitar tirar conclusões apressadas. Se você nunca "pegou" a criança na situação em questão, ou as evidência são poucas, ser muito cuidadoso ao acusá-la.

Lembrar que o erro - o mal comportamento - está sendo corrigido. Tratar a criança como uma pessoa muito importante, que sempre vale a pena escutar. Evitar as seguintes armadilhas:

Ameaças: "Você vai se arrepender!"

"Vou mandar você para um orfanato e você nunca vai voltar."

Previsões sombrias: "Você vai acabar na prisão."

Afirmações extremas: "Você sempre faz isso!

"Você nunca lembra de fazer da maneira que eu ensinei."

Nunca dizer que você acha que a criança não consegue fazer nada certo.

Evitar dar nomes.

Qualquer crítica a respeito da sua atitude, energia, honestidade, cooperação, personalidade ou das suas habilidades pode machucar.

Sabe-tudo: O Sabe-tudo pergunta, investiga, examina. "Por que fez isso?" "Para que você fez isso?"

Freqüentemente, há uma demonstração de conhecimento e a necessidade de um sermão para as crianças. O jeito de evitar essa postura é decidir compartilhar dados. Uma antiga fábula ilustra bem este ponto.


Uma vez, havia quatro homens cegos perto de um elefante tentando descobrir o que era um elefante. À medida que cada um tocava uma parte diferente do animal, declarava ter descoberto a verdadeira natureza de um elefante. Um dizia que o elefante era como uma mangueira de incêndio; outro, que o elefante é como uma folha gigante; o terceiro, que o elefante é como uma parede; e o quarto, que é o elefante é como uma corda. O único processo necessário para que eles chegassem a uma conclusão correta acerca do elefante seria juntarem todas as informações. No entanto, como a fábula conta, eles ficarem discutindo para sempre o que era realmente um elefante.

Esses cegos eram Sabe-tudos. Cada um dizia que a sua informação era a correta.

É preciso escutar o ponto de vista da criança e suas explicações sem tirar conclusões precipitadas. Juntar bem todos os dados para poder ajudar melhor sua criança.

Comediante: O Comediante, brinca, zomba e usa sarcasmo. "Por que você não queima a casa de uma vez!" "Como você é bem comportado!"

Para evitar o papel de Comediante, lembrar que o humor é perigoso em relações próximas. Raramente é bem sucedido num confronto. É melhor deixar o humor de lado em conversas sérias com as pessoas que gostamos. Reservar o humor para ocasiões leves, em que não estão sendo resolvidas coisas importantes entre você e a criança.

A próxima comparação contrapõe mensagens de incentivo com mensagens críticas do Juiz ao confrontar uma criança a respeito de um comportamento inadequado. A situação a que se refere é comer alimentos não permitidos na dieta da criança.

JUIZ

"Desista. Você não consegue mesmo se manter na dieta".

"Você nunca foi boa em manter a dieta, e isso agora só confirma."

"Você continua fazendo a dieta errada. Não consegue aprender?"

"Você não está fazendo a dieta tão bem quanto a Tati. Você não quer fazer que nem ela?"

"Você nunca vai conseguir fazer uma dieta."

"Aposto que, da próxima vez que nós sairmos, você vai comer o que não deve escondido, outra vez."

"Não tem desculpa comer a coisa errada."

"Não seguir a dieta é horrível, muito ruim."

"Sair da dieta quer dizer que todo o seu e o meu esforço até agora foi pura perda de tempo".

 

PAIS INCENTIVADORES

Não desanime por causa deste único deslize."

"Você fez alguns erros em relação ao tipo de comida mas está fazendo cada vez menos."

"Você está fazendo cada vez menos erros".

"Não se preocupe com a Tati. Veja o seu próprio progresso - você está fazendo cada vez menos erros no tipo de comida e isso é que é importante."

"Você vai fazer cada vez menos erros na escolha da comida a medida que fica com mais prática na dieta."

"Talvez na próxima vez seja melhor, porque, depois desta nossa conversa, vou ter mais da comida certa para você na geladeira."

"Vamos ver porque você está tendo problemas."

"O mundo não vai acabar por causa disso, mas é melhor mudarmos alguma coisa para que não aconteça outra vez."

"Não vamos desperdiçar a experiência. O que podemos aprender com ela para que seja melhor da próxima vez?"

CONFRONTO EFICIENTE

Alguns dos princípios chaves de Corrigir Sem Criticar estão na tabela seguinte. Rever freqüentemente para lembrar-se como incentivar a criança quando for necessário um confronto.

Confronto Eficiente

(Correção)

· Pede a opinião da criança

· Comunicação de mão dupla

· A criança tem opções, pode analisar alternativas

· A lógica da criança é respeitada

· Faz perguntas condutoras

· Respeita a criança

· Soluciona problemas

· Pede para a criança considerar o ponto de vista do adulto

· Aceitação do ponto de vista da criança como uma opção válida

· Resolve problemas de fundo que estejam levando ao comportamento inadequado

· Não repete as mensagens

· Adulto pratica os valores em discussão - cortesia, gentileza

· Promove harmonia

 

CONFRONTO INEFICIENTE

(Crítica)

· A criança tem que pensar o que é mandada pensar

· Comunicação unilateral, adulto fala, criança ouve

· A criança não tem opções, é mandada fazer

· A lógica da criança não é percebida

· Faz sermão

· Acusa

· Exige obediência

· Exige que a criança aceite o ponto de vista do adulto

· Rejeição do ponto de vista da criança

· Os problemas básicos e as necessidades da criança não são resolvidos

· Adulto é falador, gosta de "ensinar"

· Adulto pratica ser autoritário e exigente

· Destróe a harmonia